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A Saga 09/06/2011

Posted by leilakalomi in Miscelânea, Uncategorized.
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Muito bem: chegamos,  Homônima  e eu, no aeroporto John Fitzgerald Kennedy às 17:30hs. Nosso voo estava marcado para às 21:30hs, tempo suficiente para um check-in tranquilo e sem atropelos. Fizemos o check-in, comprei alguma coisa no Duty Free, fizemos uma boquinha e fomos tranquilamente esperar o avião da American Airlines no portão indicado, no caso o de número 12. O estranho é que estava marcado um voo para Barcelona no mesmo portão e na mesma hora. Estranhei, mas até então a ficha não tinha caído. Até que olhei no painel e vi que o nosso voo, o 255, havia sido transferido para o portão 35 e passado para as 10hs. “Meia hora de atraso é normal, administrável”, pensei cá com os meus botões. E lá fomos nós, Homônima e eu, com bagagem de mão super-pesada (Homônima estava trazendo um boneco de super-herói para o Alma, colecionador voraz, enorme e frágil na bagagem de mão) para o portão 35. Bem, o JFK é enoooooooorrrrrrmeeeeeeee e a AA tem um terminal só para ela no aeroporto. Andamos uma eternidade até chegar no tal gate 35, com direito a subidas e descidas de escada rolante e esteiras rolantes que também ninguém é de ferro. Finalmente, chegamos no portal. Alguns casais de brasileiros já estavam lá e sabe como é brasileiro, o papo correu solto. O que estranhamos é que alguns americanos tinham se instalado confortavelmente no chão e já estavam até curtindo um soninho….

E deu 9 horas e ninguém da American Airlines apareceu para começar o embarque….. e deu 9:30 e nada de funcionários da AA … até que alguém leu direito no painel e então a ficha para todos que estavam aguardando: o voo havia sido transferido, não para às 22 horas, mas para às 10 da manhã (10 am)! Foi um rebuliço total entre os brasileiros, claro. Foi então que Homônima e mais alguns resolveram procurar a AA. Somente neste momento é que eles resolveram se coçar para nos acomodar num hotel e nos dar o que comer. Isso já eram quase onze da noite e a transferência de portão tinha acontecido lá pelas 7 da noite. Quer dizer, a American Airlines SABIA que não haveria voo e não se dignou a avisar aos patetas que ficaram aguardando o voo e ficaram bem quietinhos. Resumindo: conseguimos um quarto no hotel Hilton Gardens que fica no aeroporto (até bonzinho, mas teve passageiro reclamando que foi colocado numa pocilga), 10 dólares para cada uma para comer alguma coisa (a essa hora o restaurante do hotel já tinha fechado e fomos obrigadas a comprar uns muffins intragáveis e caros no aeroporto) e 5 dólares para o café da manhã. Chegar no hotel foi outra maratona, pois o terminal é tão grande que precisou que tomássemos o “air train”, um trem elétrico que cobre todo o terminal, até chegarmos no ponto dos ônibus que vão para os hotéis. Desnecessário dizer que éramos um bando de brasileiros cansados, com fome e doidos por uma refeição e um banho. Só conseguimos entrar no quarto quase uma da manhã. Tomamos um banho e caímos na cama.

De manhã, por graça dos deuses, o hotel dava café (preto) de graça, o que nos animou um pouco. Pegamos o ônibus de volta que, felizmente, nos deixou na porta do termial na AA. Aqui vai um adendo: já tínhamos passado pelo controle da imigração, o que significa tirar os sapatos, o cinto, tirar tudo que é líquido da mochila, mais o netbook que comprei e claro, tinha que dar galho. A Homônima esqueceu de tirar uma garrafa de água da mochila. Resultado: foi minuciosamente revistada até que a dita garrafinha fosse encontrada. Isso aconteceu na primeira passagem pela imigração. A segunda foi sem problemas, mas, de novo, tira sapato, tira cinto, tira tudo pra fora da mochila….ufa!

Desta vez, tudo transcorreu sem problemas….., quase sem problemas. Às dez horas da manhã já estávamos todos dentro do avião…. menos as nossas malas…. Ficamos esperando dentro da aeronave até às 11:30 até que a nossa bagagem fosse devidamente embarcada. Aqui eu pergunto: a American Airlines teve a manhã toda para colocar nossas malas no avião. Por que diabos só foram buscar as nossas malas DEPOIS que já estávamos todos a bordo???

Bem, as malas foram embarcadas, tudo certo, tudo nos trinques e lá vamos nós…..

Meia hora após a decolagem, umas duas filas atrás da gente começa um alvoroço. Sai uma mulher feito doida perguntado: “Tem algum médico a bordo”? Rapidamente chegam algumas pessoas para ajudar. Um senhor teve o que parecia ser uma embolia pulmonar. O pobre apagou por uns cinco minutos e até o médico que o socorreu achou que ele tinha partido desta para melhor. Graças a Deus não foi o que aconteceu. Resultado: o avião deu meia-volta. Voltamos para NY!

No caminho de volta o avião teve que se livrar de 250 mil litros de combustível. Homônima fêz essa foto:

Avião soltando combustível

 Nesse ponto da viagem, nós íamos comer alguma coisa, mas acabamos com apenas uma barrinha de cereal. Me senti num voo da Gol…. Fui me inteirar com uma aeromoça dos próximos passos e ela me garantiu que, assim que os paramédicos retirassem o passageiro, a esposa (que aproveitou o ensejo e teve um ataque histérico), o filho e a nora do avião e reabastessessem, a viagem iria continuar. Eu pensei cá com os meus botões… “Esse retorno vai pegar no horário da tripulação….”, mas se ela garantiu…..

Não sei se pela pressa em socorrer o senhor ou se foi realmente uma fatalidade, mas o fato é que, ao bater no solo, um dos pneus da aeronave furou…. O senhor foi socorrido e nós ficamos mais uma vez à deriva no JFK. Nos colocaram numa fila no aeroporto, garantindo que aeronave eles tinham, só não tinham…. tripulação, claro. Ficamos de 13:00 às 18:30 numa fila esperando uma definição. Lá pelas 15 horas, nos serviram uma ração que constituía de um saquinho de batata frita, uma fatia de bolo (justiça seja feita, o bolo estava gostoso), água, coca-cola e um suquinho sem-vergonha. Eis a nossa fila:

A fila depois da ração

 Claro que tivemos que refazer o check-in, pois o voo mudou de número. A essa altura nossas malas estavam rodando na esteira sem nenhum controle. Foram os passageiros que tiveram que descer até o primeiro andar (estávamos no terceiro) e pegar a nossa bagagem. A minha mala eu encontrei jogada no chão. Isso é que é respeito com o passageiro.

Às 17 e pouco nos avisaram que finalmente uma tripulação foi encontrada e  pudemos refazer o check-in e passar pela terceira vez pelo controle da imigração, com direito a sacaneada do guarda encarregado. Quando passamos, ele olhou pra gente e exclamou: “Ah, las brasileñas”,…. foi duro…. E lá fomos nós, de novo, tirar os sapatos, etc…, etc…, etc….

E fomos esperar em frente ao portão. O voo agora era o 9402. Já viu, né? Um bando de brasileiros juntos só pode dar galhofa. Pois quando o comandante apareceu, foi recebido com uma salva de palmas. Pelo menos o bom humor ajudou a suportar as horas…. O voo estava marcado para sair às 19:00, depois 19:30, 20:00, até que, finalmente, a aeronave levantou voo às 21:30, com exatamente 24 horas de atraso.

O voo foi tranquilo. Não sei se pelo cansaço, mas finalmente eu, que não durmo em viagem, consegui tirar umas horinhas de sono. Homônima apagou.

O voo estava programado para chegar ao Rio às 7:32 da manhã. E a essa hora, já tínhamos tomado café e estávamos todos doidos pra chegar em casa até que….

O comandante deu a seguinte notícia pelo alto-falante: devido ao mal tempo, o Santos Dummond estava fechado e todos os voos domésticos foram transferido para o Galeão. Então, tínhamos que ficar dando voltas até a torre autorizar nossa descida. Detalhe: ao levantar voo em NY, o comandante disse que o Rio estava com céu claro e 26 graus….

Depois de uma meia hora rodando pelos ares cariocas, o comandante deu outra notícia: a torre não tinha autorizado a descida e estávamos ficando sem combustível. Tínhamos que ir para BELO HORIZONTE reabastecer. Sem brincadeira, foi um balde de água fria em todos os passageiros. Se as portas do avião pudessem ser abertas, uma meia dúzia se jogava… Sério.

E lá fomos nós reabastecer em Cofins. Entre ir, reabastecer e voltar, perdemos fácil umas duas horas. Mas, finalmente voltamos. O tempo estava terrível e ainda tivemos que esperar que cinco aeronaves aterrissassem antes da nossa. Quando finalmente o avião tocou o solo, todo mundo aplaudiu. O próprio comandante admitiu que foi uma saga esse nosso retorno.

Resultado: chegamos no aeroporto JFK às 17:30hs de quarta-feira e só chegamos no Galeão/Tom Jobin às 11:00hs de sexta-feira. Isso numa viagem de 9 horas e no conforto de uma lata de sardinhas que são os aviões da American Airlines. Homônima pretende entrar com uma ação contra  a AA pelo descaso com que fomos tratados desde o início. Tomara que muitos dos passgeiros também entrem na justiça. Se fosse alguma companhia brasileira, diriam que o que aconteceu foi por ser brasileira, mas a empresa é americana e muito, muito grande e poderosa. E como brasileiro dá lucro pra eles! 80% dos passageiros eram brasileiros. Um pouquinho de respeito não faz mal a ninguém, seja brasileiro, seja gringo. Afinal, a passagem não sai de graça, não é mesmo?

 
 
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Comentários»

1. selena - 11/06/2011

disso não estou com saudades!


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