jump to navigation

Ensaio Sobre A Depressão 21/07/2011

Posted by leilakalomi in Miscelânea.
Tags:
trackback

Confesso: estou deprimida. Eu sei, eu sei…, é o meu estado normal. Saber que, fisicamente falando, a depressão nada mais é do que a falta de neurotransmissores no cérebro é uma coisa, difícil é enfrentar essa falta no dia-a-dia.

O que me deixa mais deprimida ainda é que ninguém acha que estar deprimido(a) é  coisa séria. Cansei de ouvir durante a vida inteira que “não tinha força de vontade”, que “ah, mas isso é bobagem”. Bobagem? Vai querer um pouquinho? Estou fornecendo de graça nem que seja um dedinho de deprê para quem quiser.

A depressão deixa a gente num buraco sem a menor perspectiva de salvamento. Claro que o deprimido sabe que não é verdade, que a realidade não é tão ruim assim, que sempre existe a tal “luz no fim do túnel”, mas o que importa é como nos vemos, como percebemos a realidade e acredite, a realidade e o deprimido são como duas paralelas, nunca se encontram.

A sensação de impotência paralisa. Vira um ciclo vicioso. A impotência paralisa e afunda cada vez mais o deprimido. E quanto mais fundo é o buraco, mais paralisado se fica. Sair não é fácil. Pode-se ter ideia de algumas saídas, mas nenhuma é fácil. Aliás, nunca tive ilusões de que quebrar esse ciclo vicioso, se é que é possível quebrá-lo, seja um jardim de rosas. “Nunca lhe prometi um jardim de rosas”…

O que fazer quando se chega ao fundo do poço, tão fundo que não há sequer a probabilidade de sair? Existem algumas alternativas: o PROZAC ou similares nas ideias têm seu valor. Psicanálise também. Talvez existam outras alternativas. Posso pensar em algumas, mas elas seriam mais permanentes, por assim dizer.

Sem falso moralismo e nem estou dizendo que tenho a intenção, mas não deixa de ser uma alternativa. O que não entendo é porque diabos as pessoas, de uma maneira geral, se apegam tanto à vida. Se o que se apresenta diante de você é uma merda, por que continuar insistindo?

O que defendo é que deveríamos, sendo seres pensantes que somos, ter o direito sobre o nosso organismo, sobre a nossa vontade. Se não há vida, num sentido mais amplo, por assim dizer, por que teimar em continuar existindo?

Estou deprimida. Talvez até mais do que o costume. Sair do buraco está difícil talvez como nunca esteve antes. Entretanto, sei que existe o tal do instinto de  “autopreservação”, que, aliás, não entendo lá muito bem, assim como não entendo a tal vontade de preservar a espécie. Passar seus genes de geração em geração funcionou muito bem por um tempo. Agora, com a superpopulação mundial, recursos se esgotando, aquecimento global, simplesmente não entendo como ainda encontro pessoas que querem ter filhos….

Eu sei, eu sei…, é a tal da deprê…

Às vezes dá uma vontade danada de jogar tudo para o alto, de simplesmente se perder, “let it go”…, mas o buraco é tão fundo que não se consegue sequer ter essa perspectiva.

O jeito? Ouvir Réquiem de Mozart, sentar em frente ao computador e escrever bobagem, quem sabe chorar um pouco e torcer que amanhã, quem sabe, o bode passe, pelo menos um pouquinho. Possível? Sei lá, sou apenas uma deprimida crônica.

 

 

Anúncios

Comentários»

No comments yet — be the first.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: