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Amarrar, Desamarrar 24/08/2011

Posted by leilakalomi in Miscelânea.
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Durante a nossa vida, cultivamos o hábito de criar amarras. Elas veem aos pouquinhos, de mansinho, você nem se dá conta até fazerem parte da sua vida, tão profundamente, que você não saberia viver sem elas.

É aí que mora o perigo. Você se acostuma a elas e com o tempo acaba por não saber o que é e o que não é amarra. Só que elas sufocam até a paralisia completa.

E de onde veem essas amarras? Da vida. Viver é criar amarras.

Mas então, como desamarrá-las? Afinal, se viver é criar amarras, então deveríamos estar acostumados com elas, não?

Há amarras e amarras. Há as amarras sociais, que fazem a nossa vida em grupo ficar suportável e há as amarras pessoais, aquelas que nos auto infligimos, seja para não se indispor com o outro, seja por incapacidade de reagir. É essa amarra que é perigosa, é a que chega sem pedir licença, assim sem querer, é essa que nos mata por dentro.

Até o dia em que, paralisado pela incapacidade de desatar esses nós, já não reagimos, já não temos mais vontade. O que a vida nos apresenta é só um mar de desesperança. Um poço sem fim na qual nada é verdadeiro, tudo é uma sombra pálida do que realmente é.

A solução? Desamarrar. Simples, não? Acontece que cada nó, cada lacinho está muito bem preso na sua existência, na alma. Nunca é fácil e acredite, é muito, muito doloroso. Requer força de vontade e coragem, pois as amarras sempre veem com fantasmas. À luz da razão, esses fantasmas são sempre coisa sem importância, de uma simplicidade desconcertante, mas quem disse que a razão é a morada dos fantasmas? Eles vivem lá dentro, no escuro da alma, onde nada é simples, onde moram os medos.

Se é possível desamarrar, deixar os fantasmas a nu, dar a eles a dimensão que realmente têm? Certamente que é. Mas tem um preço e, na maioria das vezes, é um preço bastante alto.

Algumas pessoas poderiam afirmar que não vale a pena pagar o preço, que um nozinho aqui e ali não fazem mal, que é melhor deixar quieto. Mas acredito que vale sim, e muito, a pena desatar os nós da existência. Ou corremos o risco de uma paralisia completa.

É extremamente doloroso.

É como arrancar a alma.

É como se a vida se esvaísse.

Mas vale a pena, a se vale.

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Comentários»

1. selena - 24/08/2011

Me amarrei no seu texto.


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