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Carta ao Rio 22/03/2014

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correio luizense

Luciana Bruno

Rio de Janeiro, eu te amo, mas você está me deixando pra baixo. Me recebeu de braços abertos, com o perdão do clichê, mas há quatro anos estou me adaptando à sua guerra diária. Penso todos os dias se um dia vou me sentir em casa, se o problema sou eu ou se é você.

Rio, eu gosto dos seus biscoitos globo, das suas ruas sempre cheias, do céu previsível, da atmosfera de alegria às vezes fingida, às vezes real, da espontaneidade que absorvi (um pouco), do mate gelado e da perspectiva de um horizonte (que, confesso, às vezes fico meses sem ver).

Rio, eu gosto do seu circo voador, das conversas com estranhos que começam do nada, do motorista do ônibus que para e toma um café com os passageiros esperando, do aterro do flamengo, da vista da ciclovia pra baía de guanabara e de ir caminhando…

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Gilberto Scofield – Pesadelos de um Dia de Verão 11/01/2014

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Publicado no jornal O Globo de hoje, 11 de janeiro de 2014.

Este é o retrato verdadeiro da dita “Cidade Maravilhosa”. Maravilhosa pra quem, cara pálida? Pra mim é que não é.

 Gilberto Scofield Jr. gils@oglobo.com.br

Pesadelos de um dia de verão

Inacreditável falta de preparo e senso de antecedência de autoridades públicas e empresas privadas fazem este verão parecer abominável

Filas para subir o Corcovado já é uma das marcas deste verão Foto: Marcos Tristão / Agência O Globo (02/01/2014)
Filas para subir o Corcovado já é uma das marcas deste verão Marcos Tristão / Agência O Globo (02/01/2014)

Ah, o verão. Especialmente nos trópicos do Hemisfério Sul, onde o verão hospeda o réveillon — e suas promessas para o ano que se inicia, um horizonte que parece acenar com novas oportunidades —, a época é de praia, calor, corpos desnudos, férias, cerveja gelada, uma estação de bem com a vida, apesar da canícula. O verão é a estação que praticamente define o Rio. O Rio, fora do verão, não existe.

Mas há verões e verões. E este, particularmente, tem sido uma das estações mais bizarras. E eu não me refiro ao já insuportável trânsito, piorado um milhão de vezes por conta das obras que tentam melhorar os engarrafamentos dos quais se reclama. Não. Essa é queixa antiga. Tampouco me refiro ao calor que, a cada ano, parece ser o “maior dos últimos dez anos”. Imagina. Temperatura de 19 graus no Rio já é razão suficiente para o carioca tirar casaco de couro do armário. E as chuvas? Tem coisa mais previsível do que as tempestades que castigam o Rio verão sim, outro também? Só me causam mais bocejos do que o mar de turistas que invade a cidade.

E no entanto, se nada é novidade, por que este verão parece tão abominável? Pela inacreditável falta de preparo e senso de antecedência de autoridades públicas e empresas privadas para lidar com a mais emblemática das estações numa cidade que praticamente vive dela. Os absurdos se sobrepõem de uma maneira perturbadora. Vai dos já manjados arrastões nas praias ao ridículo acionamento de sprinklers no Shopping Leblon por causa do calor. Das manchas e espumas que deixam as praias com cheiro e aparência horrorosos a falhas no bondinho do Corcovado que prendem turistas durante horas nas composições. Da falta de táxis nas ruas aos alagamentos provocados por rios assoreados ou redes de águas pluviais sem manutenção, ao mais leve dos chuviscos. Dos preços absurdos onde quer que se vá na cidade à clara falta de pessoal para atendimento ao público em restaurantes, bares, clínicas, hospitais e locais turísticos da cidade. De filas gigantes para o Pão de Açúcar à falta de policiamento que resulta num sem-número de roubos, furtos e violências diversas pela cidade. Do nível indigente de nossos aeroportos aos apagões e à falta de água em vários bairros. Você escolhe a mazela.

Apesar de reunir dois milhões de pessoas, o réveillon em Copacabana transcorreu sem maiores problemas que não a eterna dificuldade de se sair do bairro depois dos fogos. Até entendo. Em qualquer evento desse porte, há dificuldades de mobilidade. Provavelmente, turistas e cariocas voltaram para casa encantados com a festa, mas nada disso fica. Porque o encantamento da família carioca com os fogos é dizimado no fim de semana seguinte, quando a família foge horrorizada da praia, acuada por 20 marginais. Porque a felicidade de uma família argentina registrada em fotos de roupas de banho postadas no Instagram nas férias no Rio é triturada quando a filha despenca num vão de escada rolante de um Galeão que mais parece um episódio de “American Horror Story”.

Alguns leitores escreveram para o jornal criticando a reportagem publicada ontem sobre os suplícios de verão, enxergando ali uma “campanha contra o Rio”. O Rio não precisa de campanha de difamação. A falta de preparo de empresas e governos no trato com a cidade cuida disso. Querem um exemplo sobre o desleixo na cidade? Vejam o relato — resumido — do leitor Renato Mello sobre sua saga para comprar um sorvete para a filha no Leblon:

“No sábado, Bibi, minha filha de 5 anos, pediu para tomar uma casquinha de morango. Eram 10h. Morador do Leblon, entrei na La Basque e perguntei: “vocês tem sorvete de morango?” De forma ríspida, ouvi a resposta: “Tem que comprar a ficha primeiro”. Bem, como não foi a pergunta que fiz e pela resposta grosseira, saí da loja. Passei pela Vecchi, nova sorveteria da moda. Eram umas 10h20m e estava fechada. O sol estava a pino e nós suávamos descomunalmente. Caminho em direção à Sorveteria Itália. Fechada.

“Àquela altura, minha filha já se contentava com um mero picolé. Fui para a Padaria Rio-Lisboa. Bem em frente à geladeira do sorvetes colocaram uma mesa, onde uma família tomava café. Fiquei sem graça de pedir licença para chegar à geladeira. Fui ao caixa e pedi se poderiam fazer isso. A caixa, antes de responder, pegou o dinheiro da minha mão e mandou eu abrir a geladeira e pegar. Pedi que algum funcionário pegasse para mim, mas não havia funcionário disponível. Pedi meu dinheiro de volta.

“Seguia pelas ruas do Leblon com Bibi, ambos pingando, ela chorando pelo sorvete. Como já eram 11h, achei que finalmente a Itália e a Vecchi já estavam abertas. Ledo engano. Pego o rumo de casa, entro na minha rua e, tal como uma miragem, vejo uma carrocinha da Kibon parada em frente à minha portaria. Eu e Bibi, emocionados, nos abraçamos tal como dois fugitivos no Saara, suplicando por água. Era o fim do nosso suplício.”

 

Brain Salad Surgery de Ano Novo 05/01/2014

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ventcalor

Ano novo, vida nova… ehhhh

E para comemorar o quarto ano deste humilde blogue, vamos agitar um pouco as coisas por aqui:

*  Por que diabos a Globeleza pode sambar pelada e entrar na casa da gente todo dia a qualquer hora e as mulheres não podem tirar o soutien na praia? E por que as sambistas podem desfilar nuas no carnaval e não se pode tirar a parte de cima do biquini para pegar sol? Se isso não é hipocrisia dessa sociedade machista, então não sei o que é. Ou será que só as mulheres negras ou mestiças podem? Isso me cheira a mentalidade escravagista. Aliás, não entendo porque as mulheres negras nunca se manifestaram contra esse uso da imagem de mulher gostosa e sedutora; isto é, “mulher fácil”.

* Teve um comercial ridículo de uma marca de carro em que uma família estava reunida na noite de natal e de repente entram sambistas e mulatas semi-nuas numa dança sensual. Além de ser de um mal gosto terrível, me incomodou o fato de ter somente mulheres negras fazendo esse papel de mulher fácil. Gozado, eu me incomodei com isso, mas pelo visto, ninguém mais se incomodou.

* Como diria o Neo-Paulista: Não pode haver vida inteligente debaixo desse calor. E tem gente que gosta! Bem, tem gosto pra tudo, mas estou eu aqui teclando essas mal traçadas linhas com ar-condicionado ligado. Claro.

* Será que algum dia o carioca vai aprender que calçada é para ser lisa? E que pedra portuguesa é uma merda se não for bem feita? Que mal há no bom e velho cimento?

* Finalmente o Prefeito desta outrora Cidade Maravilhosa ouviu minhas preces e resolveu dar uma dura no carioca e multa quem joga lixo na rua. Se os cidadãos não têm o mínimo de discernimento para saber que a cidade é a extensão da nossa casa, então temos que alguém, no papel de mamãe educadora, fazer isso. Não sabe, aprende pela multa.

* Mas a Prefeitura tem que fazer a parte dela, não? Na JMJ em julho passado a cidade ficou entupida de turistas de todas as nacionalidades. Cansei de explicar onde ficava o ponto de ônibus, qual ônibus ia para onde, onde ficava a estação do metrô mais próxima. O Rio de Janeiro não tem a menor infraestrutura para receber turistas. E vai ser assim na Copa, e vai ser assim nas Olimpíadas. Gente despreparada para lidar com o morador, imagine com o turista.

* Falando em gente despreparada, a qualidade dos serviços no Rio é de dar dó. Raríssimos são os empregadores que ensinam o mínimo e básico para o bom desempenho do profissional. Um exemplo é o Burger King. Nada contra. Acho até mais gostoso que o McDonald´s, mas em termos que qualidade do pessoal, quanta diferença! E não é só em uma filial. No princípio achei que era eu quem estava sendo intransigente, mas fui à várias lojas da rede e descobri que o problema é de RH mesmo, de gerenciamento. Já presenciei de tudo: funcionários que ficam batento papo enquando você espera o seu pedido que está no balcão, funcionária pegando com as mãos a cebola empanada e colocando no saco para viagem, uma caixa atendendo mascando chiclete com a boca aberta! Se a família e a escola não dão um mínimo de educação, cabe ao empregador suprir a deficiência. Não pode é uma rede como a BK ter funcionários tão despreparados. Esse é apenas um exemplo. É só sair de casa e entrar em qualquer estabelecimento que se vai deparar com atitudes assim.

* Falando em turismo, se em janeiro os pontos turísticos da cidade já estão um caos, imagina na Copa! E não há perspectiva de melhora. Já nem falo dos aeroportos que aí seria covardia.

* Alguém pode me dizer se segurar a cabeça de uma pessoa entre as mãos e socá-la com o joelho pode ser considerado esporte? Esse tal de MMA pode ser muita coisa, mas esporte é que não é. Carnificina pura.

* Mas é ano novo, o blogue faz 4 anos e agente vai levando…

A Imagem (Artur Xexéu) 03/04/2013

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Excelente artigo publicado hoje no jornal “O Globo”  pelo ótimo Artur Xexéu. Assino embaixo de cada uma das palavras abaixo.
Artur Xexeo
Enviado por Artur Xexéo

3.4.2013

|

7h00m

COLUNA DO SEGUNDO CADERNO (3/4/2013)

A imagem

O Rio se olha no espelho e não gosta do que vê. Ali, no meio da testa, entre os olhos, estão as rugas de um estádio de futebol novinho, orgulho das autoridades
que o chamam de “legado do Pan”, que precisa ser interditado por falta de segurança. Uma aplicação de Botox disfarça. Agora, é o pneuzinho na barriga formado pelo BRT, única novidade no transporte público nos últimos anos, vendido como solução para o futuro, que provoca uma morte atrás da outra na Avenida das Américas. Uma lipoaspiração dá um jeito. E as marcas de expressão que surgiram em torno dos lábios, consequência da fragilidade do Elevado do Joá que parece estar se desmontando? Um preenchimento labial resolve por enquanto. Pronto, o Rio já pode sair de casa sem provocar comentários maldosos dos vizinhos.
Mas, de repente, a cidade sofre um baque que não há cirurgia plástica que resolva. Um casal de turistas é atacado — ele é agredido, ela é estuprada — pelo motorista e por dois amigos seus numa van que os transportaria de Copacabana para a Lapa, percurso corriqueiro de turistas no Rio. E agora? O que os vizinhos vão dizer? A imagem da cidade está manchada, justo no momento em que ela se apronta para receber grandes eventos.
O Rio é vaidoso, todo mundo sabe. Mesmo assim, é difícil compreender porque, numa situação como esta, preocupa-se tanto com sua imagem. Alguém imagina que a Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos serão suspensos porque uma turista foi estuprada no que supostamente era um transporte público carioca? É claro que não. Mas e os turistas? Será que eles não vão evitar vir ao Rio por causa disso? Tomara que sim. Se for para serem estuprados em meio ao caótico transporte público da cidade, é melhor que não venham mesmo.
Imagens não fazem uma cidade. O Rio insiste em não acreditar nisso. Basta que um episódio de “Os Simpsons” brinque com algumas de suas mazelas para o programa de TV se transformar num incidente diplomático. Há oito anos, o seriado americano “Dexter” destrói a imagem de Miami. Se alguém levar a série a sério, vai acreditar que Miami possui a maior concentração de serial killers por metro quadrado de todo o planeta. Mesmo assim. a turistada, principalmente a brasileira, continua invadindo a cidade.
O caso da van que abalou a população no último fim de semana é exemplar. Três tarados pegaram emprestado uma vã ilegal e circularam pela cidade em busca de uma vítima. No meio do caminho, antes de encontrarem seu alvo, pegaram outros passageiros. Quando, enfim, o casal de turistas embarcou, despejaram os passageiros extras e atacaram a dupla de turistas.
Algumas perguntas: como é que uma van ilegal circula impunemente pela cidade? Pelo que se soube depois, não foi a primeira vez. Por que os passageiros que foram obrigados a desembarcar não procuraram a polícia para contar o que estava acontecendo? Por que a polícia não fez nada quando recebeu a queixa de um caso anterior semelhante?

As vans são poderosas no Rio. Não há governador neste estado que consiga administrar em paz sem fazer um tipo de acordo qualquer com seus proprietários. Ela é o exemplo mais evidente da falência de nosso transporte público. Vans ilegais circulam com a mesma desenvoltura das vans que o governo legalizou. É impossível botar um policial dentro de cada van para impedir crimes no interior do veículo. O Rio resolveu impedir a circulação de motoristas embriagados e criou a blitz da Lei Seca. Está dando certo, não está? Será que é muito difícil criar blitz para as vans? Não precisa ser uma ação que se espalhe pela cidade. Mas, se houver blitz-surpresa em ruas de circulação de turistas, já não seria um adianto? Afinal, as vítimas do fim de semana passado não embarcaram num ponto obscuro da cidade, mas na Avenida Atlântica, em Copacabana. Não deveria ser fácil circular como uma van ilegal numa das ruas mais movimentadas do Rio.
Não é um exercício de imaginação supor que os passageiros que estavam na mesma van dos turistas não procuraram uma delegacia porque “a polícia não vai fazer nada mesmo”. Eles já deveriam estar aborrecidos por ter seu percurso interrompido. Ainda iriam se preocupar em passar a noite numa delegacia, driblando a burocracia e o desinteresse de policiais para fazer uma denúncia? Taí uma imagem com que o Rio deveria se preocupar: a imagem da polícia.
Talvez essa imagem precise mesmo ser mais bem divulgada. Se há algum ponto positivo nesse caso é a rapidez com que a polícia prendeu os três suspeitos. Menos de 48 horas depois do crime já estavam todos detidos (resta saber por quanto tempo). Mas tudo tem seu contrapeso. Ao mesmo tempo em que os três tarados foram identificados, outra vítima do grupo os reconheceu. E a população ficou sabendo que ela já tinha dado queixa numa Delegacia de Mulheres. Se a polícia tivesse agido naquela ocasião com a mesma desenvoltura com que agiu agora, o crime contra os turistas não teria acontecido. Como se vê, não é por acaso que a imagem da polícia do Rio está desgastada.
A imagem do Rio e a possibilidade de turistas estrangeiros se sentirem desestimulados a nos conhecer é o menor problema dessa história toda. Quando a cidade se olhar no espelho e vir o que ela realmente é por debaixo das muitas camadas de maquiagem e aplicações de Botox, talvez o Rio descubra como se tornar uma cidade maravilhosa de verdade.

Vou Pular o Carnaval 03/02/2013

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pulando-carnaval

Minha animação momesca.

Incongruências Arquitetônicas 26/01/2013

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Sou arquiteta. Quer dizer, pelo menos fui durante um tempo. Tenho até diploma e pago ou melhor, pagava o CREA/RJ, já que me expulsaram para um tal CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Porém, neste ano da graça de 2013 completam-se 20 anos que deixei de exercer a minha profissão original. Mas, sabe como é, sempre fica um resquício no sangue e às vezes, esse sangue ferve de raiva com o descaso com que a cidade dita Maravilhosa é tratada por seus dignatários e habitantes. Há certas coisas que realmente não entendo.

Como diria a preclara Homônima, o carioca é como aquela mulher super gatinha que se veste na última moda, pinta as unhas e os cabelos, está sempre maquiada mas,… não toma banho. E se olharmos atentamente para esta cidade, é exatamente assim que ela é: super bem produzida, mas que cheira mal.

Não consigo entender a relação de amor e ódio que o carioca tem com a sua cidade. Apregoa aos quatro cantos que ama a cidade, mas joga lixo no chão, cospe na escada rolante do metrô (fui testemunha!), depreda o que for possível; em suma, trata a cidade como se ela fosse uma qualquer, não a cidade onde mora.

Também não consigo entender a total incapacidade que o carioca tem de fazer uma calçada lisa. E também não entendo esse amor pelas pedras portuguesas. Gente, pedra portuguesa é para ser assentada por profissionais capacitados chamados calceteiros! Há alguns anos alguns funcionários da Prefeitura foram fazer uma especialização em Portugal, onde as calçadas são maravilhosas, lisinhas e sem buracos. Onde foram parar esses profissionais? Aqui, qualquer um faz uma calçada de pedra portuguesa. Resultado: buracos, desníveis, pedras soltas. Na rua transversal da de onde moro construíram um prédio. Até aí, nada de mais. Imagine o que colocaram na calçada em frente? Isso mesmo, pedras portuguesas! Pois fizeram a calçada que, de original já não ficou lá essas coisas, antes de terminarem a obra. Claro que as coitadas das pedras não resistiram ao peso dos caminhões. E lá foi um curioso remendar o que já não estava bom. Pois bem, o prédio está novinho, ainda não foi ocupado e a calçada já está remendada e com um monte de pedras desniveladas, ótimo para idoso cair e quebrar carrinho de bebê. Que mal há em uma velha e boa calçada de cimento? Já tentou andar nessas calçadas desniveladas e cheias de buraco com salto alto? Bem, poderiam achar que é frescura de mulherzinha, mas andar nessa corrida de obstáculos é péssimo também com sandália baixa. Machuca a sola do pé. Resultado, sempre que tenho que fazer uma caminhada mais longa, vou de tênis. A escolha do calçado deveria ser pelo conforto ou indicado para corrida ou caminhada, mas é para não machucar os pés. Tem alguma coisa errada nessa relação cidade/habitante.

Na esquina da rua onde moro existe um casarão abandonado. O bairro é antigo e possui muitas casas com algum valor histórico. Até aí, tudo bom, tudo bem. Só que o casarão está em ruínas. O proprietário quer demolir o segundo andar (o interior já desabou, só resta a fachada), mas acontece que o dito imóvel é apacado. Quer dizer, faz parte da APAC, que a prefeitura acha que tem algum valor cultural. E o que foi que a prefeitura fez? Há alguns anos, fez uma obra de sustentação da fachada. Só que a obra acabou com qualquer traço original que o casarão possuía. Foi risível, para não dizer constrangedor, ver a Prefeitura do Rio de Janeiro gastar uma grana preta – meu rico e suado dinheirinho – para estabilizar uma fachada que não tem mais nada do que originou o apacamento. Hoje a obra está aos frangalhos. O madeiramento usado para escorar está podre, caindo aos pedaços. O máximo que já se fez foi a Defesa Civil colocar uma faixa interditando o local. Como a calçada alí é estreita, logicamente a faixa já foi retirada há tempos. E ficamos assim: nem o proprietário pode fazer uma reforma, nem a Prefeitura, que disvirtuou a fachada original toma qualquer atitude. Imagino que, como sempre, somente quando começarem a cair as paredes e ferir algum passante é que vão fazer alguma coisa. Mas o que estou esperando? Eu moro no Brasil, país do deixa-acontecer-depois-a-gente-dá-uma-ajeitada.

botafogopredioabandonado

 

Atravessando a rua, fica o Palacete dos Lineu de Paula Machado, recentemente comprado pela FIRJAN que é muito bonito mas, parafraseando Nelson Rodrigues, é “bonitinho por dentro e ordinário por fora”. Em 2011, o palacete foi palco do evento Casa Cor. “Oba!”, pensei com os meus botões. “Finalmente vão limpar os muros do terreno.” Ledo engano. O evento aconteceu, aporrinhou todo mundo fechando a rua para virar estacionamento e o muros continuam feios, cheios de pichações. Até hoje. Gozado, quando era estudante de arquitetura, aprendi que um projeto de arquitetura vai além do projeto em si, mas também é de responsabilidade do arquiteto todo o entorno. E no Casa Cor teve um monte de arquitetos, paisagistas e decoradores trabalhando lá. Será que ninguém pensou naqueles muros horrorosos? Mas o que eu sei? Sou apenas uma humilde cidadã incomodada com a sujeira da cidade.

palacete-O-Globo

 

Há mais de um ano passo duas vezes por semana na Praça General Osório, em Ipanema. E há mais de um ano vejo que o elevador para deficientes da estação General Osório do metrô está cercado por tapumes. Haviam colocado um aviso de que estava “em manutenção”. Só que agora assumiram: tiraram o aviso. O elevador está quebrado e quebrado irá ficar. E quem precisa? E os cadeirantes, que também são cidadãos que pagam impostos, como vão descer até quase os quintos dos infernos que é aquela estação? E quem, por algum motivo, não pode subir as escadas? Sim, porque é uma loteria saber se as escadas rolantes estão funcionando ou não. Desrespeito com o cidadão já é tão comum, tão banal, que ninguém mais se importa.

Falando em metrô, pelo menos chegaram alguns novos trens. Concordo que têm mais espaço – em pé, claro – e que tem um super ar condicionado para esses dias de calor tipo filial do inferno, mas me chamou a atenção umas alças colocadas nas barras de cima para facilitar que pessoas baixinhas – EU!!! – possam se segurar. Pois fiquei pensando cá com os meus botões: “no carnaval essas alças vão dançar!” Quem não frequenta o metrô no carnaval não sabe o que é depredação. Parece que as pessoas enlouquecem e saem depredando tudo! Até os vidros das composições são quebrados, não me perguntem como. Ah, não vai sobrar uma! Civilidade é isso aí! A verdadeira Hora Rubra (quem é trekker sabe do que estou falando).

Já está mais do que na hora, segundo minha humilde opinião, de a Prefeitura assumir que o carioca é um porco e passar a chamá-lo assim. É urgente uma campanha chamando o carioca pelo o que ele é: um porco. Também é responsabilidade das autoridades dar um pouco de educação aos seus concidadãos, já que nem a escola ou os pais estão cumprindo este dever.

Falando es escola, prometo que é a minha última rabugice: na Rua Sorocaba tem uma escola pública – Escola México – e ao lado, tem um local de reciclagem de lixo. Nunca passei em frente ao Colégio sem ter que desviar da sujeira deixada pelos catadores e outras pessoas em geral. Já vi de tudo na porta da escola: lixo, lixo mesmo, caco de vidro, restos de obras, carrinhos dos catadores, catadores, digamos, intoxicados, o diabo a quatro. Como uma criança que vê lixo na porta da sua escola vai cuidar de não sujar a sua cidade? Como podemos falar de uma vida melhor, se tudo o que elas veem é lixo e porcaria? Está mais do que na hora de tomarmos uma atitude.

Mas o que eu sei? Sou apenas uma ex-arquiteta cidadã que vê o que as “otoridades” não veem.

E chega porque a depressão tá braba hoje.

Ah, as fotos são do jornal “O Globo”.

Primeiro Post do Ano 01/01/2013

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Um feliz 2013 para todos, mesmo com um calor dos diabos que o verão carioca está nos brindando. E vamo que vamo!!!!

tiposdetemperatura

A Receita do Bolo 09/04/2010

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Andei meio sem vontade de escrever. A chuvarada que castiga o Rio de Janeiro não dá lá muito ânimo pra se escrever. Mas, a gente precisa desabafar, não é mesmo? Ando assistindo direto o drama que as cidades daqui do meu Estado estão sofrendo e andei pensando… como é que se chegou a esse ponto? Simples, ó simplória cidadã que paga seus impostos em dia com muito sacrifício: misture um bocado de falta de planejamento, outro bocado de falta de interesse em resolver qualquer problema e outros muitos bocados de demagogia pura e está pronta a receita do bolo: catástrofe.

Tem gente metendo o pau na prefeitura de Niterói por ter permitido a ocupação de um lixão por casas, mas vamos usar um pouquinho de bom senso: imaginemos um mundo ideal onde a burocracia – não importa em qual instância, municipal, estadual ou federal – tenha tido ciência de que uma comunidade estava crescendo num lixão desativado. Obviamente, os órgãos competentes iriam querer remover os moradores. É o que você pensa. Num instante apareceriam o político que se intitula o “representante” da comunidade, uma parte da imprensa baixaria o pau nas autoridades, ONGs boazinhas que se arvoram de guardiões de tudo o que é bom e verdadeiro na comunidade e, claro, iria aparecer um monte de líderes comunitários, dispostos a lutar até o fim contra as “otoridades”. Os órgãos competentes iriam conseguir remover aquelas pessoas do lixão? Nunca! E isso acontece em todas as áreas ocupadas.  Não estou, em absoluto, defendendo as autoridades que, por medo de enfrentar esse desgaste político ou por desorganização mesmo, deveriam mas não enfrentam essa situação. Dá no que dá. O Arquivo N da GloboNews mostrou enchentes antigas e o discurso dos governantes desde tempos imemoriais. Muda o personagem, mas o discurso é exatamente o mesmo. Alguma coisa vai mudar? Espere sentado. Daqui a algumas semanas, quando todos os corpos forem achados e enterrados e o sol voltar a brilhar na Cidade Maravilhosa, ninguém vai mais se lembrar do que aconteceu…. até que aconteça de novo. Então, veremos outras “otoridades” botando a culpa no volume de água, no pobre que constrói em área de risco…., etc. E assim caminha a humanidade.

Quem se deu bem nisso tudo foi a Bahia. Com a quantidade de dinheiro que o ex-mininstro Geddel Vieira Lima colocou no estado em que é candidato a governador, a Bahia tem que ser exemplo de gerência de recursos contra desastres naturais. Nem uma mísera casa de pobre baiano será alagada quando chover forte. Me engana que eu gosto.

A Chuva e Nós, Nós na Chuva 07/03/2010

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Pra variar, nós, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (eu, Alma Gêmea, Homônima & Teacher) nos aventuramos a sair de casa no dilúvio de ontem a noite aqui na cidade-não-tão-maravilhosa-assim e, claro, ficamos no meio do caminho. Ao chegarmos na Lagoa, perto da descida de quem sai do túnel Rebouças, ficamos presos. Ali, a água era tanta que ultrapassou a muretinha entre a calçada e a lagoa. A nossa sorte foi exatamente essa, já que a água esgotou para a lagoa ou teríamos submergido no aguaceiro. Um caos. Um verdadeiro caos. Mas carioca que se preze leva tudo na esportiva. Quando a chuva amainou, quem estava nos carros no viaduto saiu para bater um papinho, confraternizar a desgraça e aplaudir quem se aventurava no mar que eram as pistas e conseguia sair. O carioca é um gozador. Depois de mais de uma hora, Alma Gêmea se muniu de coragem e se meteu naquele mar e, por sorte, sobrevivemos. Como não podíamos voltar para casa (tudo alagado) e a ida para a Barra deu chabu pelo mesmo motivo, acabamos a noite no Shopping Leblon, com gente saindo pelo ladrão, mas pelo menos estávamos secos e a salvo num lugar alto. Quando saímos de lá é que pudemos ver o estrago da enchente. Definitivamente, a cidade não está preparada para uma chuva mais forte. Mas vai aqui o registro da boa vontade de um agente de trânsito que estava numa moto (não sei se era da CET Rio), que, debaixo de um temporal e com água pelos quadris tentava desobstruir um bueiro para ajudar a vazão das águas. Espero que ele não tenha ficado doente depois de mergulhado naquela água suja.